O diferente carisma de Maldini e Mourinho

O carisma de Mourinho pertence ao mundo da devoção: ou você se entrega ou você não é nada. A força de Maldini é o silêncio, acompanhado de poucas palavras medidas, precisas e seguras

Existem homens que podem fazer você acreditar na felicidade. Para te mostrar, em formas multicoloridas, como um pavão abanando a cauda. Fazem-no com palavras, claro, talvez as mais belas, pronunciadas com calma, com calor, nas pausas certas, num solfejo medido e correcto. Mas fazem-no sobretudo com o peso da sua própria imagem e esta propriedade que ninguém sabe explicar correctamente: carisma. Felicidade?, parece explicar Mourinho o do outro lado do telefone está em tudo ao meu redor, “nas montanhas, nos vales, nas flores e nos cristais”. E como que apanhado por um som mágico, do outro lado, alguém acredita nele e começa a caminhar em direção a ele. Costumamos dizer que a capacidade de persuasão de Mourinho é capaz de mostrar aos outros um cenário nunca visto.. Ele vê, ele sozinho, e ele lhe conta sobre isso. Então você também vê.

Mourinho não busca o impossível, ele se move onde pode competir, neste concreto como contador. Mbappé agradeceria fazendo uma reverência, mas diria que não. O português vai onde o seu coração o leva e arrombar portas acenando sentimento, um pingente de toque hipnotizante. É justamente por isso que ele é mais do que um treinador, é uma espécie de guia espiritual cuja veneração traz consigo uma certa perda e o risco de uma provável perdição. Seu carisma pertence ao mundo da devoção: ou você se entrega ou não é nada.

O carisma de Paolo Maldini é diferente, o outro cavalheiro a quem é difícil dizer não. Maldini o convence desarmando-o, ou melhor, despojando-o de todas as defesas, de todas as armaduras que o homem veste para não entrar em intimidade com os outros.. Ele consegue sem usar artifícios especiais, não há estratégia na maneira de agir, não há malícia. Maldini levanta o véu da honestidade, mostrando uma paisagem clara e limpa com um perfil nítido. Há ruas e prédios, algumas subidas. As ruas estão desertas, não se vê ninguém no horizonte. Maldini simplesmente pergunta se você quer andar com ele. Ele não te promete nada, não pode prever o futuro, nem mesmo tomar uma decisão confiante sobre a meta a alcançar, sobre a meta a conquistar. Sua força é o silêncio, acompanhado de poucas palavras medidas, precisas e seguras. Dentro desse silêncio, você pode decidir entrar ou fugir. Sem armadilhas, apenas a promessa de uma jornada ao seu lado. Longo ou curto, é apenas por essa perspectiva humilde que você decide segui-lo ou dizer adeus.

Cooper Averille

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